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11.9.06

Do lado de cá


Há cinco anos que andamos a falar do 11 de Setembro. Há cinco anos estávamos a esta hora de bocas abertas e coração apertado a ver o que iria acontecer a seguir. O que é que iam fazer a seguir.

Uns condenaram de imediato os terroristas islâmicos, outros muito tempo estiveram na dúvida se não seria um segundo Oklahoma, se não teriam sido americanos a chacinar aqueles milhares de pessoas. Se calhar alguns ainda hoje duvidam. Livros atrás de livros, teorias atrás de teorias. O papão americano versus o fundamentalismo islâmico, sempre menosprezado no seu canto do mundo.

Deve ter levado tempo a perceber que não foi só o Tio Sam a sofrer aquele atentado. Nova Iorque é a cidade mais misturada do mundo e naquele dia gente de todo o planeta morreu. Pretos e brancos, católicos, judeus, muçulmanos.

Depois daquele dia, o mundo ocidental chegou ao ponto de sacrificar certas liberdades em nome de mais segurança, fosse ela verdadeira ou fictícia, como se houvesse forma de nos protegerem de tudo.... Mas abdicou. Nem que fosse um bocadinho. Por um bocadinho os terroristas levaram a melhor: fizeram com que os defensores da democracia e da liberdade recuassem nos seus princípios. Sucumbissem à vontade daqueles que nada respeitam, que desprezam a própria vida humana em nome de um qualquer deus, contra um suposto diabo. Um diabo chamado liberdade. Essa que tanto lhes custa a engolir e contra a qual matam.

Para mim, não há desculpa. Pela minha parte, nunca terão direito a um segundo de compreensão, a um pestanejar, a um franzir de sobrancelha, a um suspiro, a um momento de dúvida, a um simples «mas». Para mim, não há perdão.