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6.4.09

A&P

A notícia começa a espalhar-se pelos amigos. Sabes que estão a separar-se? Há sempre algum espanto, um sentimento de tristeza, mas no fundo de tudo há uma resignação, como se sempre soubéssemos que ia acontecer, já não espanta ninguém. E depois a pergunta. Ainda perguntamos, sim. O que é que aconteceu? E as respostas vêm cada vez mais vagas. Sabes como é, já não andavam bem, as rotinas, as coisas arrefecem. Raramente surge uma revelação bombástica. Olha, ele descobriu que ela tinha um amante há dois anos. Olha, ele afinal é gay. Nada disso. E dizemos que sofrem. Estão a sofrer, gostam muito um do outro. Mas já não dava. Já não dava. E os filhos pelo meio, e as casas separadas e os amigos a dizerem que haverá ainda tanto tempo para o amor. Que é hora de alguma diversão, talvez um pouco de sexo descomprometido. Arejar as ideias.

Mas todos sabemos que afinal havemos de voltar é a procurar alguém com quem partilhar mais do que uma cama, mais do que um cinema uma vez por semana, mais do que uma dezena de sms's picantes. E quando isso acontecer, voltaremos a achar quente e reconfortante e sereno e completo o verdadeiro amor. Mas nunca sabemos se voltará a chegar o dia em que recebemos o telefonema a dizer. Separaram-se. E encolheremos os ombros e faremos jantares e diremos palavras que julgamos sensatas para apaziguar as dores.

Por quanto tempo aguentaremos tanta insatisfação? Por quantos dias mais esperaremos pelos amores perfeitos sempre apaixonados? E se eles de facto existirem? Sobreviveremos?